Trabalho em equipe do RBV reproduz, pela primeira vez na América do Sul, uma segunda geração de harpia em cativeiro

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Em fevereiro, outras quatro aves nasceram no RBV. Dois filhotes do casal antigo e outros dois de um casal que veio do Espírito Santo, em agosto de 2013.

O Programa de Reprodução da Harpia (Harpia harpyja) de Itaipu conseguiu um feito inédito na última sexta-feira (5): o nascimento do primeiro animal cuja mãe também é nascida em cativeiro. A segunda geração criada em cativeiro é um caso raro no mundo todo – há registros apenas em zoológicos dos Estados Unidos e do Panamá. Nesta segunda-feira (8), nasceu também outro filhote, este de um casal antigo do Refúgio Biológico Bela Vista (RBV).

De acordo com o médico veterinário Wanderlei de Moraes, da Divisão de Áreas Protegidas (MARP.CD), o nascimento inédito mostra que o esforço na reprodução da espécie vem dando resultado. Há alguns meses, um macho de harpia nascido no RBV chegou a fecundar um ovo, mas o nascimento não foi bem-sucedido. “Isso prova que as aves nascidas aqui, em cativeiro, estão buscando a reprodução.”

Com os novos filhotes, somam-se 31 nascimentos de harpia no local, o que faz do programa da Itaipu o maior do mundo. O plantel conta hoje com 29 exemplares entre jovens e adultos. Seis filhotes nascidos no RBV foram doados a outras instituições. “O foco nosso e das outras instituições que trabalham com harpia no Brasil é ampliar o número de indivíduos da espécie”, explica Wanderlei. Estima-se que existam de 120 a 140 harpias em cativeiro.

A ave nascida na sexta-feira (5) é filha de uma harpia fêmea que também nasceu no Refúgio. A mãe é de 11 de agosto de 2009, fruto de uma das primeiras reproduções bem-sucedidas do programa criado naquele mesmo ano. Ela é filha do casal mais antigo do RBV, com mais de 17 anos cada ave, formado em 2005 e que teve os primeiros filhotes em 2009. Este casal já teve 26 reproduções, quase metade das 56 harpias nascidas em cativeito em todo o País.

Reprodução de harpias

Os filhotes estão sendo alimentados na incubadora e passam bem. Eles são fruto de um protocolo que está dando certo na Itaipu e envolve uma cadeia de tratadores e profissionais do RBV. Ao longo do ano, os tratadores oferecem galhos verdes para as aves formarem o ninho. “Os galhos também servem para os machos cortejarem as fêmeas e começarem a cópula”, explica o biólogo Marcos de Oliveira (MARP.CD). Após 46 dias da postura, o ovo é retirado do ninho e levado para uma incubadora, onde será chocado entre 50 e 53 dias.

O bebê harpia leva 24 horas para quebrar a casca do ovo e outras 24 horas para deixar a posição fetal e ficar de pé. É quando ele recebe a primeira alimentação, com pinça, no bico. O filhote é alimentado cinco vezes por dia e tem a frequência de alimentação reduzida aos poucos até chegar a uma vez por dia – quando adulto, ele se alimenta uma vez a cada dois dias. O cuidado com a temperatura ambiente também é constante: na incubadora a temperatura vai sendo reduzida, enquanto a ave vai ganhando penas. Este processo dura de 15 a 20 dias, quando a ave já pode viver fora da incubadora.

Dos seis meses até os dois ou três anos, a ave fica no recinto das harpias para treinar a socialização. Quando ela começa a defender território, está na hora de separar e formar casais. Entre cinco e oito anos é o início da idade reprodutiva da espécie, que pode se reproduzir até os 35 anos.

Fonte: JIE

 

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