Terra Brasilis e o artista Glauco Rodrigues, por Antonio Cava

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A segunda missa no Brasil - Margs 1996.
A segunda missa no Brasil – Margs

Aproveito esse espaço de cultura para escrever sobre Glauco Rodrigues, um dos maiores pintores brasileiros.  Glauco era um “gauchoca”, mistura de gaúcho com carioca. Originário do Rio Grande do Sul, ele viveu e desenvolveu sua arte no Rio de Janeiro. Possui mais de 50 exposições individuais e incontáveis exposições coletivas. Glauco participou de várias bienais de arte no Brasil e no exterior. Expôs na Europa e nos Estados Unidos. Talvez você nunca tenha visitado uma exposição de Glauco Rodrigues, mas com certeza deve ter admirado alguma obra do pintor: É dele o painel do Aeroporto de Salvador, da Fundação Osvaldo Cruz e da Academia Brasileira de Letras.

Carnaval Serigrafia, 50 x 70 cm, 1990
Carnaval Serigrafia, 50 x 70 cm, 1990

Além de pintor, Glauco foi também designer gráfico; é inesquecível o desenho de São Sebastião no disco “Caça à Raposa” de João Bosco, a tipografia do livro “Morte e Vida Severina” de João Cabral de Melo Neto e o cartaz do filme “Garota de Ipanema”. Glauco Rodrigues ilustrou também o livro do curitibano Dalton Trevisan: “A trombeta do anjo vingador” de 1977.  A sua tela intitulada “Primeira Missa” foi oferecida, pelo governo brasileiro, ao Papa João Paulo II, por ocasião da sua primeira vinda ao Brasil, obra que se encontra no Museu de Arte Contemporânea do Vaticano.

Moca Serigrafia, 70 x 50 cm, 1989.
Moca Serigrafia, 70 x 50 cm, 1989

“Um país não se constrói apenas com usinas, ferrovias e outros grandes investimentos econômicos, mas também com imagens. A imagem de um país, seu caráter ou identidade, está sendo construída continuamente por alguns artistas que sabem captar e expor os desejos profundos de uma Nação, seu imaginário.” Esse depoimento do crítico de arte Frederico Morais, revela a importância da valorização do imaginário brasileiro. O carnaval foi um dos temas preferidos de Glauco Rodrigues. O próprio artista declarou que sua obra funciona um pouco como os enredos das escolas de samba. Na sua pintura, desfilam temas e mitos da vida brasileira: carnaval, futebol, índio, negro, religião, política, lendas, praia, sol, a flora e a fauna, o regional e o nacional, o passado e o presente, e a própria arte. O Brasil de Glauco é excessivamente Brasil e a temática popular é utilizada sob olhar crítico, desafiando os clichês e a memória sobre o Brasil.

“Pinto o Brasil. Pinto o futuro” – ele próprio declarou, em 1999, ao ser agraciado com o Prêmio Cândido Portinari de artista do ano, concedido pelo Ministério da Cultura. Com dezenas de prêmios conquistados no Brasil e no exterior, Glauco Rodrigues, sem dúvida, consta com uma importante presença na história da arte brasileira. Descrevi em poucas linhas apenas alguns detalhes da vida e da obra desse grande artista brasileiro, e espero que vocês descubram outras maravilhas do universo de Glauco Rodrigues.

OH! Que belos dias Litografia, 25 x 71 cm, 1980
OH, Que belos dias Litografia, 25 x 71 cm, 1980

Antonio Cava

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