Professora liga Matemática ao cotidiano e é premiada

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(Foto: Brunno Covello / Reportagem: Gazeta do Povo – ANTONIELE LUCIANO)           

Docente de Apucarana é a única finalista paranaense a ganhar o Prêmio Educador Nota 10 deste ano. O conteúdo da disciplina foi associado à arquitetura

A iniciativa de aproximar a Matemática do cotidiano de meninos e meninas a partir de traços arquitetônicos rendeu o título de Educador Nota 10 à professora Marlene Garcia Alves, do Colégio Estadual Vale do Saber, em Apucarana, no Norte do estado. Ela está entre os 10 primeiros colocados — a única do Paraná, entre mais de 3,5 mil inscritos em todo o país — do prêmio promovido pela Fundação Victor Civita e continua no páreo para ganhar o posto de Educador do Ano, resultado que será conhecido em 20 de outubro.

Marlene sempre teve a iniciativa de apontar caminhos práticos para o conteúdo dado em sala de aula. Batizado de “Arquiteto por um dia”, o projeto da professora paranaense misturou conteúdos dos planos cartesianos e de Artes. Os alunos do 8.º ano do ensino fundamental foram desafiados a localizar pares ordenados em planos formados pelos eixos X e Y. Ao ligar os pontos, os estudantes se deparavam com fachadas de casas e prédios, como o da própria escola. As cores e os demais elementos que compuseram o cenário do trabalho ficaram a critério da turma.

O Paraná também se destacou no Prêmio Educador Nota 10 com o trabalho da professora de Artes Marilza Ferreira da Silva, de Curitiba. Ela atua no Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos da Cidade Industrial e ficou entre os 20 finalistas do concurso. A proposta de Marilza abordou o ensino de gravuras com o uso de materiais alternativos, como o papelão, e a importância da reciclagem para os catadores. A iniciativa recebeu o nome de “Gravura: papelogravura e a invisibilidade do catador”.

O papelão, explica Marilza, serviu para que os alunos desenvolvessem a matriz para criação das gravuras. Durante as atividades, ela trabalhou as obras do artista plástico curitibano Orlando da Silva. “Os estudantes ficaram impressionados com o que se poderia fazer com o papelão. Além do conhecimento sobre a técnica da gravura, algo pouco trabalhado em sala de aula, o projeto ajudou a abordar o trabalho dos catadores no dia a dia. Muitas vezes, eles são considerados ‘invisíveis’ pela as pessoas”, define.

A proposta saiu da sala de aula e contou ainda com entrevistas com esses trabalhadores. Marilza sustenta que não fez o projeto com a finalidade de concorrer ao prêmio, mas o fato de ter ficado entre os finalistas a estimula a criar outras ações com potencial humanizador. “Já estou trabalhando em outra proposta”, diz.

 

O prêmio

O Prêmio Educador Nota 10 foi criado em 1998 e já reconheceu o trabalho de mais de 180 educadores no país. A premiação é uma das mais importantes da América Latina no reconhecimento de iniciativas voltadas para alunos da educação infantil e do ensino fundamental. Entre os inscritos, os jurados selecionam 50 participantes, passam para 20 e chegam nos 10 vencedores. Cerca de R$ 2 milhões já foram entregues em prêmios.

“A minha ideia foi trazer um pouco do cotidiano para a sala de aula. Deixei que eles criassem seus desenhos também, apresentando sempre a sequência de pares. Alguns fizeram a fachada de suas casas”, conta. Segundo a professora, mesmo os alunos que não têm a Matemática como a disciplina favorita mostraram ter absorvido bem o conteúdo com o trabalho.

O importante, na avaliação de Marlene, foi também a possibilidade criada de apresentar a matéria e despertar nos estudantes vocações na área, como o desejo de seguir a profissão de arquiteto. “O professor tem de dar o pontapé inicial, precisa ser o condutor do ensino”, pontua.

 

Tributos

Ao longo de 22 anos de magistério, Marlene já desenvolveu outros projetos usando elementos da disciplina e externos para oferecer uma maneira diferente de aprendizado. Em uma dessas iniciativas, premiada em 2006 com o 2.º lugar do Concurso Agrinho, do Serviço Nacional da Agricultura (Senar), ela ensinou tributos a partir da criação de empresas fictícias pelos alunos. “Na Matemática, temos de tentar descontrair, trazer o que está fora para os conteúdos da sala de aula”, defende.

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