O internacional Juan Pablo Villalobos

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Ele é mexicano, mora em Barcelona, viveu no Brasil, é casado com uma brasileira e tem dois filhos espanhóis. Poderia haver alguém tão hispano-latino-americano quanto Juan Pablo Villalobos para falar sobre a literatura na América Latina? O escritor foi a atração da noite de sábado na 11ª Feira do Livro de Foz do Iguaçu, ao participar de um bate-papo sobre sua vida, obra e o universo literário. Ele é autor dos romances Festa no Covil, Se Vivêssemos em um Lugar Normal e Te Vendo um Cachorro, todos publicados pela Companhia das Letras e traduzidos em 15 idiomas. O escritor também colabora para o jornal O Estado de São Paulo e para os blogues English Pen Club e da Companhia das Letras. Confira a entrevista.

Você morou no Brasil por três anos, mas atualmente vive na Espanha?

Faz exatamente um ano que voltei a Barcelona, depois de morar três anos em Campinas. Voltei por questões profissionais e de família. Tenho dois filhos que nasceram na Espanha, são meio brasileiros, meio mexicanos, mas estão acostumados a viver em Barcelona. Foi uma série de motivos que nos levaram novamente para lá.

Como é a sua relação com o Brasil?

É um relacionamento bom, porque aqui meus livros foram muito bem aceitos. Tanto Festa no Covil quanto Se Vivêssemos em um Lugar Normal tiveram uma boa recepção. Eu viajei muito pelo Brasil por conta desses livros. Fui a lugares até muito longe, praticamente viajei por todo o país, e tive a oportunidade de conhecer a diversidade brasileira.

Em que projetos está trabalhando atualmente?

Estou tentando escrever um novo romance e me dedicando a traduções de literatura brasileira, já que faço tradução de autores brasileiros pro espanhol, e trabalhando em outros projetos editoriais.

Que livros brasileiros você já traduziu para o espanhol?

Tenho quatro autores traduzidos, que são o Sérgio Rodrigues, de quem fiz a tradução de O Drible – um romance sobre futebol; traduzi também o Raduan Nassar, Um Copo de Cólera; Patrícia Melo, um policial chamado Ladrão de Cadáveres; e a minha primeira tradução, que foi de Rodrigo Souza Leão, um livro chamado Todos os Cachorros São Azuis.

Você está no Brasil também para lançar seu novo livro, Te Vendo um Cachorro. De que ele trata?

É a história de um velho chamado Téo, um senhor de 78 anos que mora em um prédio decadente, onde só moram velhinhos, que já estão sem nenhuma ocupação, só com as fofocas da vizinhança. Ele é um pintor frustrado, porque queria ser artista, igual ao pai dele, que também queria ser artista. Através dele vamos conhecer 80 anos da história da arte e da política do México do século 20. É um romance humorístico, como são meus dois outros livros, mas que também fala de temas muito sérios de uma maneira pouco séria.

Você veio à feira falar da nova literatura latino-americana. Qual sua análise sobre o momento que ela atravessa?

Eu acho que ela está passando por um momento muito interessante, por um lado marcado pela literatura da globalização, que é produto do modelo econômico neoliberal, que parece ter vergonha de ser latino-americana, que tem aspirações de ser literatura universal, mas de um jeito muito frívolo. Ao mesmo tempo tem uma literatura que é herdeira do boom daqueles escritores dos anos 60, 70; e ainda outra literatura que representa a vanguarda, mais experimental, que fica por fora da questão comercial. De um modo geral, acho que a literatura hispano-americana está vivendo uma época muito rica.

E para concluir, qual sua visão sobre o mercado literário brasileiro?

O Brasil tem um problema, que ao mesmo tempo é uma grande qualidade, que é ser um país tão grande, que fica muito voltado pra si mesmo, muito fechado. Então é pouco conhecida a literatura brasileira fora do Brasil. Acho que isso ocorre porque ela “viaja” mal, é pouco traduzida, mal compreendida, porque tem os clichês sobre o país, como samba, praia, carnaval e futebol, que quando um leitor estrangeiro chega perto de um livro brasileiro, já está com esses clichês na cabeça, e aí é difícil pra ele aceitar literatura diferente. Mas, por outro lado, há escritores jovens que estão sendo traduzidos e tendo um sucesso relativo.

11ª Feira Internacional do Livro
Data: de 4 a 13 de setembro
Local: Praça das Nações (Mitre)
www.feiradolivrofoz.com.br

Entrada franca

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