Salve Rainha!, na análise de Antonio Cava, novo colunista da Vida Interessante

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Ela é o “Cara”. Regina/Rainha Casé, esse nome não poderia ser mais apropriado para a realeza dessa artista. Ela pertence a uma elite que não é política, social ou econômica, mas a uma elite de humanistas. Para definir Regina Casé os autores de dicionários precisariam inventar uma nova palavra em sua homenagem: Regina, uma artista “brasileirista”.

Regina Casé é item de primeira necessidade para o Brasil, deveria constar na cesta básica de todo brasileiro e ser distribuído, principalmente, entre os preconceituosos que insistem em desprezar a cultura popular.

EsquentaRegina é moderna, contemporânea, tropicalista e pop no sentido mais nobre da arte. Regina “Warhol” Casé é a cultura viva na televisão. Ela promove, com leveza, o encontro do erudito com o popular. Quem poderia reunir no mesmo programa Lula e Fernando Henrique, a Rainha Betânia com a Rainha da bateria, pintoras de unha com pintores de quadros. Escritores e sambistas? Ela trata os tipos mais excêntricos com humor afetuoso e nunca com deboche.

Regina sempre contribuiu para a questão racial no Brasil obtendo um resultado mais eficaz do que a lei cotas. Seu programa “Esquenta” reúne todas as classes sociais, os temas mais variados e as misturas mais inusitadas. É de fato, a cara do Brasil e do mundo contemporâneo. Um espaço sem preconceitos, onde o brasileiro é protagonista.

Desejo que o programa Esquenta tenha muitas edições na televisão brasileira, com esse time da pesada nos bastidores que reúne o trabalho de pesquisa do antropólogo Hermano Vianna, o núcleo de Guel Arraes, e diretores do naipe de Estevão Ciavatta e Leonardo Netto e a nossa Regina com seu toque de Midas.

Nesse Domingo (1 de fevereiro) a apresentadora foi consagrada com o prêmio de melhor atriz no famoso festival de cinema dos Estados Unidos, o Sundance Festival, criado pelo ator Robert Redford em 1978. Ela levou o prêmio por sua atuação no filme “Que horas ela volta?”, dirigido por Anna Muylaert. Até nisso ela é um exagero. Salve Regina!

 

 

 

 

 

Antonio cava2Cava nasceu no Rio de Janeiro, em 1º de março de 1965. É produtor cultural, dramaturgo e curador. Estudou Ciências Políticas na Università degli Studi em Milão, Geografia na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e Direção Teatral na Casa das Artes das Laranjeiras, também no Rio. Escreveu e dirigiu as peças Hilda, em 1996, e O dia de nossos amores, em 1999.  Idealizou e produziu mais de 30 exposições em várias capitais do Brasil. Circo Fellini em homenagem ao cineasta italiano Federico Fellini e, O Universo Gráfico de Glauco Rodrigues estão entre seus trabalhos mais recentes. Vive em Curitiba. 

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