Respeitem Meus Cabelos, Brancos

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Por Pedro Lichtnow

Chico César é poético e profético. Seu show, na Feira Internacional do Livro de Foz do Iguaçu, invadiu a mente e os corações da platéia. Chico trouxe rock, reaggy, baião, afro e acordeom à Praça do Mitre. Em Estado de Poesia, o músico sofisticou as letras e canções nordestinas com criatividade, perspicácia e solidez no palco. Músicas com belos arranjos, perfeita sincronia instrumental da banda, ritmo e poesia contagiaram o público, do começo ao fim do espetáculo.

Chico César sofre com o pré-conceito racial e de classe. Ele mesmo atestou isto durante o show. “Desde a maternidade”, entoou, em cântico de revolta. A composição “Respeitem Meus Cabelos, Brancos”, demonstra esta ânsia por Justiça e Igualdade de gênero. Diz um trecho da letra:

“Respeitem meus cabelos, brancos;

Chegou a hora de falar;

Vamos ser francos

Pois quando um preto fala

O branco cala ou deixa a sala

Com veludo nos tamancos”

A rebeldia de Chico também fora transmitida em breves retóricas político-ideológicas, com linhas bastante definidas; algo antagônico ao próprio discurso musical lançado pelo poeta e compositor sobre a sofisticada heterogeneidade poética e literária que oferece em sua distinta obra.

No contexto, o show de Chico é bastante aprazível e dançante. Os ritmos se misturam em plena simbiose. Arte, poesia, literatura e cultura numa mesma pegada musical. Chico é um César da Música, em constante expansão pelo mundo afora, reconhecido na America Latina e também na Europa. Seu show convergiu com a proposta da Feira do Livro, que traz um autêntico festival de cultura e ampla diversidade de temas, atendendo gostos, estilos e preferências.

Foto: Marcos Labanca

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