O palhaço do circo sem lona

2
1738

Frequentemente tenho sido questionado em palestras e entrevistas sobre o que deve ser feito para superar a crise pela qual passa o Brasil. Todos nós sabemos que as variáveis são inúmeras e que não há resposta exata para estas perguntas, no entanto, não podemos nos acomodar e simplesmente aceitar que a superação de crises, por não existir fórmulas exatas, devem ser tratadas aleatoriamente e sem critério.

Há alguns fatores que, com ou sem crise devem ser mantidos com atenção e zelo pelos administradores e líderes. O primeiro deles é o questionamento sobre os custos operacionais. Seja qual for o segmento, a otimização dos custos e o equilíbrio nas relações entre despesas e receitas é um diferencial indispensável para que a empresa se mantenha viva e viável. Outro fator importante é o racionamento de energia, não estou falando só de energia elétrica, estou falando também da energia investida nas tarefas, nos processos e na realização das atividades pelas pessoas. Esta energia canalizada com criatividade e objetividade leva a produzir mais com menos e esse é um argumento importante diante do mercado e da concorrência. A fonte desta energia está nas pessoas e por isso é recomendável que os gestores façam algumas perguntas: O quadro funcional está motivado? As pessoas estão treinadas para criar alternativas? As pessoas têm orgulho de trabalhar na empresa ou vivem procurando outras oportunidades de empregos? Estas são questões que precisam de respostas e soluções.

A dinâmica de uma empresa é desenvolvida por pessoas, tudo mais é estático, máquinas, edifícios, móveis e recursos estruturais. São as pessoas que se movem e movem os negócios e é necessário que elas estejam sintonizadas com os objetivos do negócio. Não adianta focar nos resultados se os processos e os meios estiverem em desacordo com as metas e com a missão declarada pela organização, ou seja, é preciso que os interesses das pessoas estejam sintonizados com os interesses organizacionais, esse alinhamento será sentido e percebido naturalmente pelos clientes e stakeholders, o que criará conexões internas e externas e ampliará a atuação empresarial em um círculo de crescimento.

palhaco-duplaQuando eu era criança, morava em uma pequena cidade do interior e ia aos circos que chegavam lá. O palhaço era o personagem que eu mais gostava, com suas brincadeiras, ele me fazia sentir que o mundo era bom, um lugar de motivos para ser feliz. Numa dessas ocasiões meu pai me levou a um circo tão sem recursos que, em parte dele não havia lona de cobertura, o que fazia, em uma cidade simples, aquele setor ser concorrido por ser mais barato, um exemplo de interação do produto com o público alvo, que é mais um fator importante, o circo talvez não conseguisse plateia em uma cidade rica, as crianças daquela cidade se importam apenas com conteúdo, com as gargalhadas e com as brincadeiras, assistir às sessões nos setores ao céu abertos era só um pequeno detalhe e quando chovia a festa ficava ainda melhor. Mesmo sem o mínimo de estrutura o palhaço estava lá, com o entusiasmo de uma banda de rock, provocando o riso das crianças ao tropeçar nos próprios pés.

palhaco-4Meu pai me falou que às vezes o palhaço estava triste, mas, precisava fazer o público sorrir, porque esse era o seu trabalho.

Hoje, conservo esse sentimento nas coisas que faço, não importa o meu momento, eu mantenho a missão que escolhi e faço o meu trabalho, não importa o quanto simples ou complexa seja minha tarefa, eu valorizo o meu cliente e mantenho a alegria ao realizar. Descobri com o palhaço do circo sem lona, que a criatividade supera a falta de recursos, transforma ameaças em oportunidades e vence as crises. Aprendi com o palhaço que o bom ou mal humor é uma questão de escolha e, principalmente, que o trabalho deve ser realizado com prazer, porque assim o tempo flui com leveza e o esforço se transforma naturalmente em resultados positivos e qualidade de vida.
palhacoQualquer empresa, com ou sem crise precisa de pessoas entusiasmadas, apaixonadas pelo que faz. Sem isso não se chega a lugar nenhum. Na poesia sugerida pelo palhaço do circo sem lona há um detalhe que deve ser percebido, a motivação, talvez seja esse o fator mais importante. Resultados são construídos a partir de motivos. Sem vontade de fazer não há resultados positivos.

Algumas pessoas são entusiasmadas e motivadas como o tal palhaço, outras precisam de estímulos. Por isso, a capacitação e investimento no desenvolvimento das pessoas são colunas que merecem atenção para que a empresa cresça. A escolha de uma equipe eficaz começa com uma seleção qualificada, que considere aptidões, interesses, critérios técnicos, psicológicos e humanos.

Após a formação da equipe é preciso investir em treinamentos para que os interesses da equipe sejam alinhados com os interesses da organização, é assim que a equipe ganhará um perfil personalizado que, além de um comportamento padrão e unificado também tenha espaço para a criatividade e individualidade. Em outras palavras: A empresa deve ser visualizada como parte de um sistema onde estão inseridos colaboradores, clientes, fornecedores e demais grupos de interesses. Talvez seja este, o formato e o caminho que direciona para a superação das crises.

2 COMENTÁRIOS

  1. Laércio
    Este texto é bem atual e retrata muito bem a necessidade das organizações em um período de crise, com este que enfrentamos, em valorizar os bons profissionais e motiva-los.
    Parabéns meu amigo, muito bom o texto.

Deixe uma resposta