Navegar ou naufragar

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Ainda vai levar um tempo para as ferramentas virtuais disponibilizadas na internet serem UTILIZADAS e não apenas usadas. “Navegar” deveria ser para algum lugar, com um objetivo. Tenho ouvido pessoas falarem que estão sem tempo para isso ou aquilo e ao mesmo tempo gastam horas a fio nas redes sociais com a sensação de que estão fazendo network, em muitas situações o uso da internet tem sido equivocado e contraditório.

Há pouco tempo, a internet nos trouxe recursos e agilidades até então inimagináveis. Houve transformações em todos os lugares e segmentos do planeta, as distâncias foram encurtadas pelas informações em tempo real e isso deveria ter ampliado a disponibilidade do tempo das pessoas. Na realidade não é isso o que vemos, é mais comum encontrarmos pessoas correndo desesperadas para conseguir realizar o dia a dia.

Entre outros temas de administração tenho visto um interesse muito grande sobre a gestão do tempo e tenho observado que um dos maiores causadores da falta de tempo é a falta de objetivo, ainda não é comum encontrar pessoas com um projeto de vida ou com um plano pessoal definido. Sem foco e sem metas as pessoas se frustram. O universo virtual e o real se completam, não há diferença entre entrar em uma biblioteca ou na internet para pesquisar. Se não houver objetivo a sensação de desperdício de tempo é a mesma, quem aproveita os recursos da internet, seja por motivos profissionais ou de laser, navega. Quem passeia de site em site sem objetivo, perde tempo e naufraga.

O desenvolvimento da tecnologia e os efeitos causados pela utilização da internet não devem ser tratados isoladamente, tudo faz parte de um contexto único, cujo motivo é a otimização de recursos econômicos, humanos e sociais. As ferramentas de internet são apenas alguns das inúmeras interferências, que podem facilitar ou expor objetivos à ações desfocadas. Atualmente a cultura é diferente da cultura de vinte ou trinta anos atrás, tudo é relacionado com velocidade e agilidade, isso tem interferido na linguagem, na comunicação, no comportamento e nas relações das pessoas e das empresas.

Não adianta insistir em velhos chavões sem questionar se cabem no novo momento da humanidade. “Cultura leva tempo para ser mudada.” Será que ainda é assim? Quase tudo de que dispomos hoje para viver foram concebidos, desenvolvidos ou difundidos a partir de 1900, televisão, avião, plástico, alimentos enlatados, conservantes, energia elétrica, computadores e outro materiais e produtos. Junto com estas novidades surgiram novas doenças, novos remédios e novos comportamentos. Houve mais mudanças culturais nos últimos cem anos que em toda história da humanidade. Gestão do tempo, processos organizacionais, qualidade total, respeito às divergências e diferenças sociais e de gêneros, sustentabilidade ambiental, direitos e deveres nas relações de consumo e de trabalho são alguns dos temas que têm reeditado novos conceitos em um universo multidisciplinar. Já somos sete bilhões e meio de habitantes no planeta, em 1900 a população mundial era de um Bilhão, seiscentos e cinquenta milhões de habitantes (Dados da ONU). Esses números nos mostram um crescimento populacional de mais de quatro vezes em pouco mais de um século, o que significa que a cada dia precisaremos, devido a escassez de recursos, aprender a compartilhar e que temos urgência em aprender a lidar racionalmente com a agilidade e os recursos do universo virtual.

É preciso perceber que a ciência, a arte e a filosofia estão se aproximando e dando forma a um mundo multidisciplinar, onde o real, o virtual, a razão e a emoção são partes do mesmo cenário. O tempo e as ferramentas estão disponíveis, a tecnologia e a internet são aliadas de quem sabe o que quer e onde quer chegar, assim como, são  inimigas  de quem  não  tem destino planejado. O diferencial não está na quantidade das tecnologias disponíveis, está na forma como são aplicadas e isso depende das pessoas.

 

 

2 COMENTÁRIOS

  1. Laercio, muito oportuno o seu artigo, especialmente para refletirmos sobre o que os mais jovens estão fazendo com o seu precioso tempo. O desperdício deve sempre ser questionado e podemos verificar o quanto de talento e vida são entregues ao vazio. Abraço

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