Gabriel Medina venceu Kelly Slater em Teahupoo épico

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(Foto:WILL H-S/ASP /  Reportagem: ESPN – Edinho Leite)

A terceira vitória do brasileiro no Samsung Galaxy ASP World Championship Tour coloca-o na liderança da corrida pelo título mundial 2014. Vencer o Billabong Pro Tahiti em ondas espetaculares vai muito além da competição. Gabriel conquistou o mundo.

A final eletrizante entre Gabriel Medina e Kelly Slater marcou a mudança histórica no cenário do surf mundial. O evento mais incrível dos últimos anos teve a cooperação da previsão de ondas do Surfline.com e de Neptuno. Tubos espetaculares em Teahupoo, a onda mais temida e respeitada do Tour.

Pedras no caminho

Fora Jadson Andre e Gabril nenhum outro brasileiro teve a sorte de passar do round 2. No terceiro round, Jadson perdeu para Slater por 19.44 X 6.43. Mas Joel Parkinson, Mick Fanning e Taj Burrow, que estavam nos calcanhares de Gabriel, também perderam a chance de continuar surfando os melhores e maiores tubos do Tour.

Na intensa segunda-feira, histórico dia 25 de agosto, Gabriel Medina, como desde o primeiro round, não perdeu nenhuma bateria. Repare que, em ondas simplesmente épicas ele não tomou nenhum caldo até a final, nenhum wipe out. Foi perfeito. Venceu Kolohe Andino e Bede Durbdge no round 4 indo direto para as quartas de final, assim como John John e Kelly Slater que fizeram somatórias estratosféricas no festival de notas acima dos nove pontos. Michel Bourez, que também brigava de perto pelo título 2014, perdeu no round 5. As ondas não paravam de bombar sobre a bancada mais temida do Tour e Owen Wright deu show, atingindo 19.87 na vitória sobre Brett Simpsom.

Quartas de primeira

Baterias memoráveis. As notas como o 10 de Bede contra o vencedor do ano passado, Adrian Buchan, refletem o qualidade das ondas. Lisas, cavernosamente perfeitas. Gabriel parecia tranquilo e combativo. Cabeça no lugar na vitória contra Kolohe. Mas seu show estava apenas começando, como se estivesse guardando seus 100% para o momento certo. John John fez outra bateria beirando a perfeição. 19.67 em tubos sem grabrail, de pé lá dentro, contra os 17.76 de Dion Atikinson. Kelly fazia drops insanos e mandou seu primeiro dez do evento contra o estiloso Owen Wright [19.80 X 16.10]. Entubar sem a mão na borda tornou-se up grade quase obrigatório.

 Poucas e ótimas na semi

Medina abriu a semifinal segurando lá dentro para depois acelerar no expresso. Rolou a baforada e ele não apareceu. Ainda acelerava lá dentro para mais uma sessão de tubos no bowl de oeste [9.67]. Em controle geral o brasileiro, sem a prioridade, levou Bede muito para o fundo da bancada. De lá, o australiano dropou e dançou dentro de mais um tubaço. Genial, Gabriel mantinha sua tática de não buscar as maiores. Queria as melhores, o mais “deep” possível no line up. Sua segunda onda foi mais uma em que navegou em alta velocidade nas profundesas de Teahupoo para sair no canal. Bede respondeu com outro wipe out [18.67 X 4.17].

Foi uma final épica. Gabriel Medina {18.96] X Kelly Slater [18.93].

Pipemasters no Tahiti

A segunda semi foi uma guerra de titãs. JJFlo dropou no ar, fez a curva debaixo do pesado lipe e veio lá dentro, de pé, sem as mãos na borda até ser cuspido pela baforada. Kelly veio na de trás, segurando sua trajetória com a mão na borda. A onda era levemente maior e o tubo foi um pouco mais longo. Sério, não consigo definir porque o tubo dele foi seu segundo dez na competição e o do JJFlo [9.90] não. Florence entubava como se estivesse em casa, Pipeline. Sumindo no foamball e saindo sempre depois da baforada o havaiano mandou uma sequência de 9.10 e 9.40. Kelly fez mais de sua mágica num 9.77 e assumiu a liderança. JJFlo precisava de 9.78 para virar. Uma eternidade depois, quase no último minuto da bateria o havaiano dropou verticalmente. Segurou a borda, soltou, segurou novamente na borda lá dentro e em seu tubo mais longo nessa bateria saiu com a baforada. Nota 9.77! Estavam empatados em 19.77, mas o dez de Slater falou mais alto e ele foi para a final. Essa bateria ainda vai gerar muita controvérsia.

Antes que Kelly conseguisse se mexer, Gabriel já somava 18.50 numa marcada do 11 vezes campeão mundial que perdeu a prioridade. No meio da bateria, ele postou 9.63 para voltar ao jogo. Medina, num drop simplesmente insano, botou para dentro de um tubo cavernoso, mesmo que mais curto e saiu com a baforada de canhão para receber 9.53. Medina foi engolido pelo expresso pela primeira vez, mas Kelly perdeu o equilíbrio na de trás e caiu quando já saia de mais uma caverna precisando de 9.33. Depois quase saiu de mais uma tentativa que poderia ser um dez. Na final mais eletrizante dos últimos anos, Kelly ainda teve mais uma chance. Não acreditou quando Medina deixou a onda. O brasileiro parecia saber que aquela onda não seria a da virada. E não foi. Os 9.30 resultaram no placar de 18.96 X 18.93.

Kelly disse que esse foi o evento mais incrível que ele já viu. “Sou abençoado por surfar essas ondas contra esses caras. As palavras de minha mão me inspiraram. Quando caí achei que havia perdido a bateria, mas acredito em Deus e creio que foi ele que me deu essa vitória, muito especial”, declarou Gabriel que, a meu ver, obteve a maior vitória de um brasileiro no Tour até hoje. Vibrou muito. Vitória espetacular do futuro campeão mundial, líder isolado do ranking que domina desde o começo do ano. Dessa vez vai.

 

 

TOP-22 DO RANKING DO SAMSUNG GALAXY ASP WORLD TOUR 2014 – após 7 etapas:

1.o: Gabriel Medina (BRA) – 46.150 pontos

2.o: Kelly Slater (EUA) – 38.350

3.o: Joel Parkinson (AUS) – 36.150

4.o: Michel Bourez (TAH) – 34.500

5.o: Mick Fanning (AUS) – 34.400

6.o: Taj Burrow (AUS) – 33.700

7.o: Adriano de Souza (BRA) – 30.600

8.o: Kolohe Andino (EUA) – 27.700

9.o: Nat Young (EUA) – 27.650

10: Owen Wright (AUS) – 24.900

11: Josh Kerr (AUS) – 24.000

12: John John Florence (HAV) – 23.950

13: Bede Durbidge (AUS) – 22.700

14: Jordy Smith (AFR) – 18.900

15: Julian Wilson (AUS) – 15.750

16: C. J. Hobgood (EUA) – 15.450

17: Fredrick Patacchia (HAV) – 15.250

18: Sebastian Zietz (HAV) – 14.450

18: Adrian Buchan (AUS) – 14.450

20: Miguel Pupo (BRA) – 14.200

21: Filipe Toledo (BRA) – 13.000

22: Kai Otton (AUS) – 12.000

——-outros brasileiros:

27: Alejo Muniz (BRA) – 10.700 pontos

29: Jadson André (BRA) – 8.500

35: Raoni Monteiro (BRA) – 3.500

 

 

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