Crise: oportunidade para qualificar as habilidades sociais

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Grandes ideias surgiram em épocas de grandes crises.

Estamos mergulhados em uma crise econômica decorrente de uma grave crise política.

– Qual seria a principal função da criatividade, se não a de sobreviver a uma crise?

– Como não piorar o que já não está bom?

A saída imediata é a redução de danos. A começar pela análise qualitativa dos pensamentos. Os pensamentos catastróficos, negativos e irrealistas embotam o cérebro, pois as emoções negativas estancam a capacidade de criar e pensar.

As pessoas otimistas vêem a crise como algo transitório, passageiro, com esperança, portanto com alguma chance de superação, enquanto para as pessoas que tendem a ser na maior parte das vezes pessimistas a crise é uma fatalidade, fim do caminho, ponto final. Essas só vêem problemas, mesmo quando há soluções.

Crise é contenção de impulsos de prazer. É preciso saber adiar uma recompensa. Isso exige maturidade psicológica. Portanto, preocupa-me o fato da juventude atual ser premiada frequentemente com supérfluos de consumo. Uma boa parte das crianças chega à juventude desconhecendo o prazer de conquistar os sonhos por mérito próprio. Conheci um jovem de 19 anos, cuja queixa central era de que nada lhe faltava, pois a mãe lhe dava tudo que ele queria. Passava o tempo bebendo e dirigindo em alta velocidade. Logo, se transformou em uma máquina mortífera. Perguntei-lhe como poderia merecer a vida, buscando a morte?

De acordo com a Psicologia Positiva, a felicidade é consequência da meritocracia. Desenvolver nas crianças a garra para conquistar os sonhos é mais importante que entregá-los de bandeja, sem que os mesmos se esforcem para isso. Conquistar é muito melhor do que ganhar. A emoção de plenitude é superior a de euforia.

A euforia não é felicidade, por ser uma emoção efêmera. Toda euforia gera depressão posterior. O cérebro leva até 48 horas para se reequilibrar. Você nunca reparou como as crianças ficam depois da noite de Natal? Aquele presente tão sonhado agora está largado num canto da sala, enquanto aparenta apatia.

Os neurotransmissores da euforia são gastos todos de uma só vez. É como gastar o salário num dia só. Será que um dia de gastos compensaria 29 dias de extrema dureza? O mesmo ocorre com o cérebro. Por isso, é prudente evitar emoções extremas (raiva, euforia), optando pela moderação. As emoções positivas são brandas, mantendo o cérebro mais equalizado.

É vital ensinar às crianças a tolerarem a frustração, mas isso gradativamente, respeitando sua maturação biológica. A vida é feita de crises constantes. Ninguém tem tudo o tempo todo. Isso é pensamento mágico.

A saúde financeira é essencial, por ser a base de toda uma vida. Um amigo especialista em finanças me informou que algumas cooperativas de crédito têm programas de educação financeira para Pais, com técnicas simples e por isso eficazes para instruí-los a ensinarem os filhos desde a idade pré-escolar a pouparem. Assim, o sistema de autocontrole da criança é estimulado. A educação financeira é recente no Brasil. Resultado: somos um país de pessoas endividadas.

A orientação dos especialistas vem sendo, em primeiro lugar, saldar o quanto antes as dívidas e paralelamente cortar gastos desnecessários (supérfluos). Nesta época, a permuta passa a ser uma boa alternativa. Além de cortar gastos e diminuir despesas fixas, a etapa seguinte é a obtenção de recursos adicionais. Por exemplo: montar um bazar via internet de roupas, livros, eletrônicos, bolsas e brinquedos em bom estado.

Você sabia que sendo mais de 50% da população, as mulheres possuem menos de 1% da riqueza mundial? A boa notícia é que elas estão mais treinadas para a crise econômica. Elas compõem um exército informal de trabalho voluntário na condição de filhas, esposas, tias, mães, professoras e avós. O dinheiro para elas é um meio e não um fim em si. Qual é a estratégia? Permuta, comunicação, descentralização das decisões, ampliação da networking.

De modo geral, a crise econômica é a oportunidade para qualificar os relacionamentos interpessoais. A amizade estimula a criatividade. O estímulo às habilidades sociais é muito importante para suportarmos toda e qualquer crise. Por isso é vital cultivarmos diversos amigos em todas as fases da vida.

As habilidades sociais (empatia, assertividade, comunicação) são vitais à nossa sobrevivência.

Graças ao altruísmo, o Ser Humano – enquanto espécie dominante neste Planeta – sobreviveu a inúmeras catástrofes naturais, escassez de alimentos, epidemias e guerras.

As pequenas ações altruístas no dia-a-dia desencadeiam os círculos virtuosos. É a nossa capacidade de interação social que propicia a superação das crises, seja de ordem individual ou social. Vale a máxima: “A união faz a força”.

Os círculos virtuosos são fontes positivas que descomplicam a vida, otimizando o cérebro na resolução de problemas. Emoções positivas estimulam a criatividade: fator essencial para vencer uma crise.

Quando as pessoas se inspiram em algum comportamento positivo ou pró-ativo emitido por você, é sinal de que você já está inaugurando em torno de si diversos círculos virtuosos.

Em resumo, crise combina com criatividade seja em prol dos outros ou de si mesmo, sendo a oportunidade para o aprimoramento das habilidades sociais.

Sugestões de leitura:

“Dinheiro: os segredos de quem tem: como conquistar e manter sua independência financeira”; por Gustavo Cerbasi; Ed. Gente; 2010.

“O milionário mora ao lado”; por Stanley; Manole: 1999.

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