Confira a coluna da semana sobre games

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Estou aqui para escrever um pouco sobre videogames nessa revista. Tá, eu sei que o público alvo dessa revista não é necessariamente nerds tetudos que jogam videogame o dia inteiro, mas, vai que essa revista por acaso vai parar na mão do filho/namorado/esposo/neto/cachorro de alguém numa sala de espera de um consultório médico ou dentista, pelo menos o nerd vai ter algo pra ler enquanto espera.

Mas, agora falando um pouco sério, meu nome é Dirceu, tenho 37 anos e jogo videogame há pelo menos 30 (se fizessem uma linha de evolução de gamers assim como do ser humano – primata, neantherdal, homo sapiens, e assim por diante – eu provavelmente estaria em todas já que vim desde a época do telegame), passei pelo Telegame, TK85, TK90, Atari, Msx, Phanton System e afins até chegar ao PS3 e Xbox360 (se a maioria que está lendo essa coluna não sabe o que são os primeiros é porque tem menos de 25 anos, os que sabem, tem mais e já são nerds mais velhos).

Portanto, acho que essa experiência me qualifica um pouco para falar sobre o assunto. Hoje em dia (depois do casamento) jogo pouco (tipo umas 2 horas por dia), mas já joguei muito e muitos jogos. Não, não acho que quem joga videogame tenha que necessariamente ser um moleque nerd com óculos fundo de garrafa e sem vida social (Forever alone), acho que qualquer um que goste de uma boa hora de diversão pode jogar – uma vez que o mercado de games hoje pode sim agradar a todos os gostos – sem que se enquadre no estereótipo nerd/tetudo/óculos/esquisito.

Mas, como ainda a sociedade pensa dessa forma (não pensa? Experimenta falar que joga videogame para aquela gata que você acabou de conhecer na night e observe a reação dela). Resolvi adotar o nome como um elogio, inclusive conheço muito gamer gente finíssima que pensa, produz, tem vida social e ainda por cima tem consciência. Portanto, para quem continuar lendo a coluna, saiba que nerd aqui é elogio e não adjetivo depreciativo (prefiro ser um nerd ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo……reconheceram?).

A idéia aqui é postar todo o tipo de artigo relacionado a games em geral (notadamente para as plataformas Xbox e PS3, pois são as que jogo – se alguém quiser me doar um Wii posso escrever sobre ele também). Novidades, lançamentos, reviews e análises de jogos, dicas e todo o tipo de assunto relacionado a esse mundo fantástico que hoje é o mundo dos games digitais.

Vou começar colocando um ponto de vista que li esses dias sobre a velha discussão nérdica sobre o estado da arte dos games hoje, ou melhor, se eles podem ou não ser enquadrados como forma de arte. O autor, um leitor da coluna Sobrenada do jornal Gazeta do Povo, coloca de forma clara e objetiva seu ponto de vista, inclusive citando exemplos válidos de games que possuem uma baita produção, roteiros e direção de arte competentes. Vocês sabiam que muitos dos roteiristas de jogos hoje são também roteiristas de filmes consagrados, como Apocalipse Now, Red Dawn (Amanhecer Violento), Jogos Patrióticos entre outros? (Essa foi para as mães/namoradas/esposas/irmãos que acham que videogame ainda é do tipo Sonic em que você controlava uma coisa azul e que não tinha nenhum objetivo além de recolher anéis que algum vivente colocou ali sem motivo e ao mesmo tempo tendo de desviar de outros bichos perigosos, como insetos radioativos entre outros). O texto na íntegra pode ser lido neste link, mas, vou destacar aqui algumas passagens que achei interessantes:

 “…Nos Estados Unidos, França, Itália, Japão, e muitos outros países, vídeo-games já passaram de nível. Não são mais considerados coisas ruins, que viciam (apesar de realmente viciarem), que apenas nerds e crianças usam. Nesses países, os jogos de vídeo-game são tratados como arte. Há propagandas na televisão, dezenas de lojas especializadas nisso, críticos renomados sobre o assunto, e mega-empresas que faturam muito mais que todos os filmes do mundo. Call of Dutty: Black Ops – jogo de tiro que se passa durante a Guerra Fria – faturou 360 milhões de dólares nas primeiras 24 horas de venda, e mais de 1 bilhão em DOIS MESES. Avatar, o filme com maior bilheteria da história, arrecadou 2 bilhões até HOJE…”

 “….Para se fazer um livro, uma música, um quadro, é difícil. Para se fazer cinema, é preciso de tudo isso e mais. Para se fazer jogos, mais ainda: Se usa música, história (fictícia e não fictícia), arquitetura, física, fotografia, cinema, dublagem, programação, produção, etc…..”

“…Uma maneira totalmente diferente de se fazer arte, mas ainda assim, é arte. Não é coisa de nerd, criança, ou coisa de piá. Adultos jogam, mulheres jogam. Adultos produzem, mulheres produzem. O Wii é usado em fisioterapia. O Kinect é usado em medicina, e tem potencial para infinitas coisas…”

“…E nada de vir com a desculpa de que há muitos jogos violentos e cheios de palavrões. Diga-me: a cada dez filmes, quantos têm violência e palavrão? Só uma coisa, filmes dublados não contam…”

“…Desvirtuar? Criar crianças violentas? Besteira. Um exemplo simples disso: quem é o cara violento e vândalo na sala de aula? O ‘nerd’, que joga vídeo-game, ou o cara ‘pop,’ que vai pra balada e vê Big Brother?…”

Como disse anteriormente, é um texto que vale a pena ler e refletir sobre ele, ou melhor, ler, ligar o videogame e jogar Call of Duty enquanto reflete sobre ele.

Para a análise de jogos resolvi escrever sobre dois lançamentos que agitaram o mercado de jogos. Um é um jogo de FPS (First Player Shooter – Tiro em primeira pessoa – aquele em que você controla uma arma, já que você não vê seu rosto em nenhum momento do game) futurista exclusivo do PS3 que se chama Killzone 3 e o outro foi lançado para Xbox/PS3 e PC que também é um FPS de guerra moderno chamado Homefront.

 

Killzone 3

KILLZONE

 

Killzone 3 é um jogo de FPS futurista onde você controla o Sargento Sev que, junto com seu companheiro Sargento Rico, estão em um planeta hostil (Helghan) separados do seu exército e com um monte de nego querendo seu couro para tamborim. Sua missão é se juntar com o resto de seu exército, destruir o exército Helghast. Existe uma guerra que dura desde o lançamento do Killzone 1 para Playstation 1 (como você leitor pode perceber é um tanto quanto antiga).

A primeira coisa que impressiona no jogo são os gráficos lindíssimos que, se não usa toda a capacidade gráfica do PS3, pelo menos chega perto. Os cenários estão perfeitos, bem renderizados e a textura extremamente suave, dando a impressão que realmente estamos vendo um filme onde controlamos o personagem principal.

A história é muito bem contada, onde os acontecimentos ocorrem logo após o término do jogo 2 e, caso você não tenha jogado o anterior, no começo passa um filme com o resumão geral da ópera para ambientar os novos jogadores. O ritmo do jogo é frenético com toneladas de inimigos vindo em sua direção com todo o tipo de arma que se pode imaginar. A AI (Inteligência Artificial) dos inimigos é razoável, do tipo se você ficar durante muito tempo escondido em um canto eles dão um jeito de dar a volta e te atacar pelos flancos, por sorte os drones não tem uma mira privilegiada. Em muitos trechos do jogo você é auxiliado pelo seu amigo Rico ou mais membros do exército ISA, mas não espere muito deles, pois assim como a AI dos inimigos, a deles também não é lá essas coisas, principalmente suas miras, mas no momento do aperto eles até te dão uma ajuda com kits médicos, portanto fique próximo a eles.

O jogo tem uma boa física no geral, você sente no controle o peso e recoil (coice) das armas usadas, assim como a dinâmica de proteção atrás de paredes ou outros obstáculos no cenário. A única ressalva neste quesito diz respeito ao “peso” do personagem. Tem horas que parece que Sev carrega uns duzentos quilos nas costas fazendo o ato de virar para acertar em alguém que está atrás do seu personagem, um esforço que se torna inútil, pois até virar e mirar você acaba morrendo, nesse caso é melhor apertar o botão de corrida e ir para frente até achar proteção. Uma coisa que é divertida nesse jogo é dar headshots nos soldados inimigos, assim como enfrentá-los em uma luta corpo a corpo (para cada inimigo a animação de kill muda – vai desde pescoço quebrado até dedo no olho).

O modo campanha off-line do jogo é relativamente curta, cerca de 6 a 8 horas de gameplay no modo de dificuldade normal, assim como na série Call of Duty, o jogo é mais focado no modo Multiplayer on-line. O modo on-line conta com 3 modos básicos: o Gerrilla Warfare (ou team deathmatch) onde dois grupos de 8 jogadores se matam até acabar o tempo ou alcançar o número de kills estipulado (o lado que matar mais ganha), o Operations onde cada grupo recebe uma missão que deve ser realizada em um tempo enquanto o outro grupo tenta evitar que se realize a missão e o Warzone que é um misto de Gerrilla Warfare e Operations.

Para quem é acostumado com Call of Duty esse multiplayer pode estranhar no começo devido ao “peso” dos personagens. Enquanto que no CoD você controla um personagem de “papel” sem peso nenhum que corre feito um atleta, carrega uma arma na velocidade da luz e ainda mira tão rápido quanto um míssil teleguiado no Killzone 3. O “buraco” é mais embaixo, do tipo, se você encontrar algum inimigo pelo caminho é bom estar com a arma carregada pois não dá tempo de atirar/carregar e ainda matar o vivente a sua frente. Os personagens também são mais pesados e as miras não tão precisas, tanto que muitos kills podem ser feitos por tiros sem precisar mirar.

O estilo não é muito customizável, ou seja, existem apenas algumas classes para se escolher e existe um limite de customização em cada classe, assim como cada classe tem um poder especial que te dá vantagem no campo de batalha, como por exemplo, a classe infiltrator tem um perk que te coloca disfarçado como membro de outra equipe, assim você pode andar no meio deles sem ser notado, um outro exemplo, a classe sniper te deixa invisível para todos até você se mexer ou atirar (com isso você pode camperar a vontade e só vai ficar exposto quando atirar seu rifle).

No geral, o jogo é um excelente jogo com um modo multiplayer viciante. Recomendo fortemente a compra, vai te valer boas horas de diversão tanto no modo campanha quanto no modo multiplayer on-line, embora ainda não tenha me feito trocar o meu multiplayer de Call of Duty.

 Homefront:

 HOMEFRONT

O ano é 2027, por uma série de acontecimentos até que factíveis, a Coréia do Norte e Sul são unificadas pelo filho do ditador coreano Kim Jong-Il e começam um esforço expansionista, conquistando a Austrália, Japão e outros países culminando com a invasão ao Estados Unidos (sim caro leitor, invadem os EUA em um jogo). Toda essa história, desde a unificação das Coréias até detalhes da invasão aos EUA. Isso é contado em um filme de cerca de 15 minutos no começo do jogo. O filme, diga-se de passagem, muito bem feito, mistura partes de falas reais de pessoas do governo americano e Norte Coreano e desenha um plano de fundo para o jogo bastante verossímil.

Isso te coloca na pele de um ex piloto do exército americano que é recrutado para fazer parte de uma força de resistência americana, cumprindo missões, matando toneladas de coreanos e fazendo um estrago no melhor no estilo Rambo de ser.

O roteiro do jogo foi baseado em um livro do escritor John Milius que assinou também como roteirista do filme Apocalipse Now (quem ainda não viu, corra para locadora e veja esse filmaço, que é um clássico dos anos 80).

Os gráficos são bons, embora não tão perfeitos quanto Killzone 3, mas a ação é mais real e com um ritmo menos frenético, mas nem por isso mais fácil. As armas usadas, apesar do ano ser 2027, são muito próximas das usadas em jogos como Bad Company 2 e Call of Duty, e as missões são bem balanceadas como nível de dificuldade.

O diferencial do jogo fica por conta das cutscenes (partes do jogo que parecem filmes que geralmente contam a história do jogo) onde são bem-feitas e em muitos momentos até cruéis. Esse jogo teve venda proibida nas Coréias e alguns países Asiáticos pois retratam cenas fortes de execuções a civis no começo do jogo. Embora também, pessoalmente, tenha achado um pouco violentas, as cutscenes são ótimas para ambientar o jogador ao clima de guerra e imersão que os produtores querem passar ao jogador.

Os sons dos tiros das armas são impressionantes, assim como a trilha sonora de ótimo bom gosto. No geral o gameplay no modo campanha – parece estar virando moda em jogos de FPS – com duração de 6 a 8 horas, dependendo do nível de dificuldade do jogo.

O modo multiplayer desse jogo é excelente, com mapas grandes e bem balanceados, assim como uma capacidade de customização de classes comparáveis aos Modern Warfare 1 e 2.

Mais um jogo que recomendo, ainda mais para quem, assim como eu, é fãs de jogos de guerra e tiro em primeira pessoa. O modo multiplayer é extremamente viciante e o modo campanha é o suficiente para deixar o jogador esperando ansiosamente o Homefornt 2.

Meus amigos nerds de plantão que estão agora esperando na sala do dentista, por hoje é só, espero que vocês tenham gostado do texto. Minha PSN_ID e Gamertag é Elderdog73, sintam-se à vontade para me adicionar para que possamos jogar e trocar ideias. Quem não gostou do texto pode mandar e-mail para a revista com suas críticas e sugestões. Abraços nerdásticos do Dirceu.

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