A ARTE DE EDUCAR – parte 1

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Afeto e limite são ferramentas indispensáveis para a construção humana. A melhor forma de linguagem é o exercício da gentileza e do diálogo respeitoso. Uma relação carinhosa e assertiva. O crescimento do diálogo entre as gerações e a atenuação dos conflitos de uma relação autoritária, vieram a modificar toda estrutura familiar e o relacionamento entre pais e filhos.

Na relação com os filhos, conversar ou punir? Frente à sensibilidade dos sentimentos angustiantes e contraditórios de pais e mães, diante da desafiadora tarefa de educar filhos saudáveis e ajustados à sociedade moderna, não é pecado nem autoritarismo estabelecer com os filhos relações que permitam, aos pais, o tempo e o espaço para também satisfazer seus desejos de adultos. Não atendendo apenas as necessidades materiais e emocionais dos filhos.

Ah se eu soubesse disso antes… sem culpa! Os filhos estão num novo mundo, tudo o que foi feito, foi com a intenção de acertar e assumir a tarefa de direcionar a vida daqueles que tanto amamos, os filhos. Crescer sem preparo para lidar com os limites e obstáculos que a vida impõe é tão perigoso quanto crescer oprimido pelo “paipatrão”.

Agravam-se os casos de depressão, insatisfação, procrastinação, ansiedade, drogas… um mal-estar social. Aumenta o número de desempregados, a insegurança financeira, política e social. Ao mesmo tempo, a sociedade precisa de lideranças, empreendedores, pessoas competentes e inovadoras. Parece que estamos num caldeirão que aquece cada vez mais e precisamos sair deste sufoco.

Associado a isso, o dilema na educação dos filhos. Preocupação com baixo rendimento escolar, a dependências dos recursos tecnológicos, síndromes, conduta agressiva, consumismo.

Persistência e disposição para rever condutas, mudar atitudes, crenças, abrir as janelas do coração e criar filhos seguros e felizes – um desafio. Somos humanos, crises familiares são inevitáveis, equilíbrio emocional uma necessidade.

É nocivo, ao futuro adulto, uma educação familiar onde as suas necessidades infantis são o centro de todas as ações e subordinam a vida dos que vivem no mesmo espaço.

Educar é assumir a responsabilidade de estabelecer limites, de não fraudar sentimentos e verdades, de ser democrático e usar o senso de justiça, respeito às diferenças, compartilhar oportunidades para pais e filhos.

Criar filhos nunca foi tarefa fácil, isenta de dor e culpa. Não existe treino, é um empreendimento humano arriscado, mas ao mesmo tempo fascinante, sujeito de falhas, pleno de potencialidades para tornar a vida mais rica e generosa, e todas as tentativas são válidas. Tomar conta dos conflitos para que eles não dominem as pessoas, aprender a conviver com a contradição e abrir mão da perfeição com afeto e limites, é uma alternativa.

Referências:

GOLEMAN, Daniel. Inteligência emocional. São Paulo: Editora Objetiva, 2010.

ELLIS, Elizabeth M. Educando filhos responsáveis. São Paulo: Editora Ática. 2007.

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