A virtude do Amor…

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Dentre as 24 qualidades que vem sendo estudadas cientificamente há mais de 20 anos, podemos eleger, por ordem alfabética, o amor.

Não quero aqui discorrer sobre o tema como se estivesse escrevendo para a Universidade. Portanto, evitarei citações, embora não raro, como é de meu estilo, eu citei livros importantes que possam resumir sem muito blá-blá-blá algum tema.

A respeito disso, algumas pessoas são implicadas comigo por gostar tanto de ler.

Virtude do amor_Revista Vida InteressanteTenho a sorte de exercer uma profissão que exige muita leitura diária e mesmo assim, aquela sensação de não ter tido tempo de ler tudo, só aumenta a cada livro, pois mais livros são citados em cada leitura. Embora pareça que ler seja algo “monótono”, pelo menos a quem observa alguém lendo, mentalmente é uma das atividades mais eloqüentes e dinâmicas que existe.  Melhor que isso, pra mim, ou seja, tão dinâmico quanto, somente dançar (mas deixemos este tema para a outra semana).

Voltando ao tema inicial, o amor… Lembro-me de uma aula na Universidade Federal do Rio de Janeiro, em que um renomado Professor de Psicologia, pesquisador das emoções, iniciava cedinho sua aula, a primeira de um longo dia, repetindo lenta e monotonamente, enquanto tragava seu cigarro apagado, a seguinte frase:
“- O amor… longa tragada …o aaaaaaaaamor… longo suspiro…. o amooooooorrrrr… pausa…”.

Minha resposta era: – zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz.

Não me lembro mais do que falava a seguir porque suas aulas eram tão lentas que eu simplesmente apagava sobre a mesa.

Voltei a estudar o amor somente com a Psicologia Positiva, quando iniciei a pós-graduação aqui mesmo em Foz do Iguaçu. Aí, tudo tomou um sentido mais prático!

Em resumo, o amor é a emoção mais positiva que uma pessoa pode sentir.

É um sentimento tão grande, mas tão grande, que não cabe numa só pessoa, nem na que recebe, nem na que o oferece. Às vezes tenho a impressão que amor e vida são sinônimos.

O amor é um sentimento multiforme. Você pode sentir amor pela natureza, pela música, pelo seu cachorrinho de estimação, por uma causa social, pelo seu carro, pelos bichos abandonados na rua, pela sua irmã, pelos seus pais, professores, amigos e colegas. Você pode amar de modo romântico.

Pode amar de modo menos vegetariano, ou seja, amar carnalmente; e neste caso seria paixão?

Não, não necessariamente. Apenas uma forte atração sexual, uma química!

Enfim, o amor é polimórfico, ou seja, tem várias formas, desde o desejo mais básico, carnal, até o mais sublime, espiritual (para os religiosos) ou ecológicos (para os agnósticos ou ateus).

amor_nos_tempos_de_coleraEm cada nível, a expressão do amor exige uma maneira específica comunicação, desde o silêncio, a contemplação solitária e secreta de modo platônico, sublimado, como os amores da escritora inglesa Virginia Woolf, até ao estilo do escritor colombiano Gabriel García Marques, bem latino, passional, como expresso no filme “Amor em tempos de Cólera” (- Se não assistiu, vai a dica. É um belíssimo filme).

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É preciso haver uma distinção clara para cada pessoa do que seja sentir amor e expressar este amor. Muitas pessoas sentem amor, mas não sabem expressá-lo da melhor maneira. Algumas até por sentirem amor, procuram expressar o contrário, dando o desprezo, o insulto, enfim, agridem pelo silêncio ou pela coação por medo de serem “descobertos”.

Por outo lado, há pessoas que usam outra estratégia de expressão: demonstram sem qualquer censura, e isso também pode assustar quem recebe este amor todo, por receio de apego excessivo, extrema dependência e ausência de desafio. Elas grudam no ser amado como pico-pico do mato; e assim, o que seria uma dádiva, vira um calvário.

Seja qual for a forma de expressão e o objeto amado (ser animado ou inanimado), é preciso ponderação. Nosso cérebro se condiciona rapidamente à conexão com o outro. Nem todas as pessoas estão preparadas para receber amor, ou propiciar amor. Há muita confusão com sentimento de posse, que neste caso não é amor, é egocentrismo infantil. Não raro também se confunde amor com desconfiança, gerando ciúmes doentio.

O amor é o bem-querer do outro, sem que precise auto-abandonar-se

Amor não é prisão.

Amor não é ciúmes.

Amor é amor.

Para amar o outro é preciso saber se você ama a si mesmo(a) de modo saudável, ou seja, sem narcisismo (aquela pessoa que “se acha” o supra-sumo da espécie humana) ou auto-abandono (aquela pessoa que não procura um amor, mas um pai ou uma mãe que não teve).

Indico um livro bem prático, científico, que ajuda a você identificar o seu nível de amor próprio.

É de um escritor que é terapeuta cognitivo-comportamental e que também estuda a psicologia positiva chamado Walter Riso, cujo livro é “Apaixone-se por si mesmo”.

Mais grave do que não receber amor, é não sentir amor por nada, nem por ninguém.

Virtude do amor_Revista Vida Interessante_cria 8Esta desconexão afetiva é própria dos répteis por exemplo, que se caracterizam por um relacionamento frio, distante. A jacaré-fêmea (jacaroa?) choca seu ovo no Sol, à distância. Já os mamíferos não. São hiperconectados. Pensemos nos macacos que se enroscam e até uma briga é desculpa para um abraço. Pois se você não sente amor, está mais próximo dos répteis (o que não é uma bom sinal, uma vez que você faz parte dos mamíferos). Então, como identificar se está de fato recebendo todo amor que julga merecer, se não tem certeza de sua auto-estima, de seu amor-próprio? Se não se ama, como pode amar alguém?

A amizade é a prova de que o amor existe, sendo tão importante quanto as outras formas de amor.depoimentos-para-amigos-600x330

Estudos afirmam que 10 minutos com um amigo de verdade equivale a uma sessão de 45 minutos de psicoterapia.

Virtude do amor_Revista Vida Interessante_familia1A amizade é importante entre pais e filhos, entre irmãos, entre colegas de escola, colegas de trabalho, entre namorados, entre marido e mulher. Crianças precisam de amigos para se manterem na escola. Adolescentes precisam de amigos para criarem suas identidades. Adultos precisam de amigos para vencer o estresse da vida pós-moderna. Idosos precisam de amigos.

Quem não tem amigos, principalmente de longa data, apresenta sim problemas de vinculação e conexão. Alguma coisa está errada. As mulheres quando se casam ou arrumam um namorado firme em geral se esquecem das amigas e depois, quando se separam ou quando ficam sozinhas em casa, esperando o esposo vir do futebol, é que se lembram da importância das amigas, dos momentos em que podem falar o que pensam, rir de qualquer coisa, falar bobagens. Não podemos ser sérias o tempo todo, é preciso haver momentos de descompressão emocional, mental e física. Faz parte da saúde mental.

Amar, sentir amor por algo ou alguém é tão inebriante quanto receber amor.
Senti-lo, portanto é algo que o conecta com o Planeta, com a vida, com os seres que nela habita.

Você busca o bem sem se preocupar em receber nada em troca. Simplesmente ama.

Não quer mudar nada. Há uma aceitação plena e tão secreta que só pertence a si mesmo(a).

O amor é tão pleno que parece se bastar!

Até a próxima segunda-feira, quando falaremos de outra virtude!

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