A ARTE DE EDUCAR – Parte 2

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Dificuldades e crises familiares são inevitáveis. Adultos que quando crianças não tiveram limites, demonstram ser indecisos, lidam mal com perdas e frustrações, sentem-se inseguros, desistem com facilidade. Apresentam dificuldades em assumir responsabilidades, em cumprir com a palavra. Para conseguir o que desejam usam a mentira, manipulação, desculpas. Afeto e limite, eis o equilíbrio. Aprender a focar nos problemas em busca de soluções, sem agressividade. Comportamentos indesejados podem ser evitados, mas as emoções não podem ser sufocadas. Pais e filhos devem expressar seus sentimentos, sem necessariamente mostrar explosões emocionais sem motivo aparente.

Os pais de ontem tinham mais segurança do que faziam, do que falavam e cumpriam. Os pais de hoje, apesar de terem muitas informações, são mais inseguros e às vezes temem pelas consequências das atitudes. Não há erro, não há culpa. Equilíbrio, diálogo, assumir o papel, afeto e limites, pode ajudar. O casal de pais tem que combinar coerência entre si. Há situações de incoerência que deseducam os filhos. A incoerência entre os pais é a brecha que o filho usa como arma para conseguir o que quer. Em nome do filho ambos terão que chegar a um acordo. O pior é quando a mãe chama o pai de bagunceiro e o pai chama a mãe de chata. O filho perde o respeito pelos dois e sem respeito não se consegue uma boa educação.

Se os filhos vêem pai e mãe discutindo, mas resolvendo os problemas, podem aprender importante lição. Fatos que irão vivenciar em diferentes fases da vida e levam como aprendizagem. Se o filho vir o pai ajudando a mãe, aprenderá um modelo de relacionamento em que as pessoas cooperam umas com as outras.

Sucesso (2000) define alguns estilos de comportamentos de pais: Os controladores que educam com rigidez e exercem controle excessivo sobre a vida dos filhos e não expressam afeto. Os protetores que não estabelecem regras e tratam os filhos com baixo grau de afetividade, são negligentes e não assumem a responsabilidade de educar os filhos. Os permissivos submetem-se aos caprichos dos filhos, são pacientes, tratam os filhos com muito afeto e não colocam limites. Os educadores tratam os filhos com afetividade, mas são firmes na colocação de limites, o comportamento é previsível, estabelecem regras e persistem naquilo que combinam.

A dinâmica das relações familiares é complexa e em diferentes momentos vários comportamentos vêm à tona. Porém, esta postura é que contribuirá para a formação do caráter dos filhos. Cada família, pai ou mãe age conforme suas necessidades, sua realidade, seu contexto familiar. Tudo pelo mesmo objetivo, cultivar a boa convivência familiar. O que um filho aprende na família, são valores para uma vida inteira.

Perante as mudanças do mundo moderno, muitos pais reconhecem ser permissivos e admitem que precisam ser mais rigorosos. Situações como o estresse diário, medo do desemprego, dificuldades no casamento, falta de dinheiro são algumas causas na dificuldade em colocar limites, estabelecer relações adequadas entre pais e filhos. Outras situações, onde só pai ou só mãe assumem todas as responsabilidades e sozinhos administram os compromissos, também são desafiados constantemente. Entrar em desespero? Jamais! Cada um no “seu quadrado”. Pai e mãe assumem o papel na educação dos filhos sem submissão aos desejos e vontades deles. Combinados são necessários e faz-se cumprir. Filhos colaboram, ajudam, cumprem seus deveres. Sem tirania e sem inversão de papéis.

 

“As mães que carregam as mochilas dos filhos estão lhes ensinando que cabe a eles curtir a vida enquanto a elas cabe a responsabilidade de tudo.” Içami Tiba

Referências:

TIBA. Içami. Disciplina: Limite na medida certa. São Paulo: Editora Gente

SUCESSO. Edina de Paula. Afeto e limite: uma vida melhor para pais e filhos. Rio de Janeiro: Dunya Editora

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